Fazer redações costuma ser algo que “tortura” os alunos. Primeiro, pelo fato de o
aluno gastar o tempo pensando para criar “historinhas” ou para falar de coisas pessoais, opiniões
sobre determinadas questões. Em segundo lugar, pelo fato de o aluno se expor, tendo
que mostrar ao professor os seus erros de ortografia, os seus pensamentos “alienados” ou
preconceituosos. Outro fator agravante é o aluno raramente entender a avaliação feita pelo
professor. Mas, mesmo com tudo isso, é preciso não se torturar.
Usar a criatividade, seja para criar uma história, é buscar o desenvolvimento de uma
das faculdades mais importantes ao indivíduo. Sem criatividade um empresário, médico, advogado,
professor têm bem menos oportunidade de ver suas atividades prosperar. O improviso,
o raciocínio rápido e coerente estão na base de um bom empreendedor. Criar histórias é
treinar a capacidade de fazer as situações acontecerem e ter a capacidade de controlá-las.
Quanto às opiniões sobre questões pertinentes ao mundo coletivo ou individual, é
preciso ter senso crítico para se relacionar socialmente sem ser manipulado intelectualmente
por pessoas persuasivas. Quem não tem opinião própria deve aprender a ter, e o professor,
seja ele de Redação, História, Literatura, é alguém que pode ajudar muito. Mudar de opinião
a respeito de um assunto é sinal de inteligência, de amadurecimento, afinal cada dia mais
precisamos ver o mundo a nossa volta como algo dinâmico, em constante transformação.
3
Já no aspecto da avaliação da redação, os critérios
que devem ser seguidos pelos professores são os mesmo
seguidos pelas bancas corretoras nos vestibulares e são basicamente
seis: adequação ao tema, adequação ao tipo de
texto, adequação à coletânea, adequação à modalidade escrita,
coerência e coesão. O aluno entendendo como seu
texto é julgado e percebendo que ele está em um concurso,
competindo com vários candidatos, tem mais chances de
melhorar os seus textos, pois deve fazer as correções item a
item. O grande erro de muitos alunos é ignorar os critérios
de avaliação e escrever “na marra”, pois, sem consistência,
às vezes tira uma boa nota, outras...
Se o Vestibular é um concurso, é fundamental que se
conheça a regra para atingir o aprimoramento necessário.
Mais do que isso, é importantíssimo não se sentir torturado
em um processo de aprendizagem que poderá conduzir a
uma das mais relevantes vitórias
Comunicação oral e escrita
Ler e escrever
Um aspecto a ser bem esclarecido a quem procura
melhorar seu desempenho em redação é a diferença existente
entre a comunicação oral e a escrita.
A língua escrita só surgiu depois da falada e constitui
uma tentativa de reproduzi-la. Entretanto, ela não é capaz de
representar adequadamente as inúmeras variações de sentido
decorrentes das variações de entonação ou as informações
suplementares que um simples gesto produz ao acompanhar
as palavras. E, não raro, a comunicação entre duas
pessoas pode realizar-se apenas por um olhar significativo
ou um meneio de cabeça, aspectos dificilmente reproduzidos
de modo adequado pela língua escrita.
Em vista dessas diferenças de recursos entre a língua
oral e a escrita, não devemos pensar em escrever como se
fala, pois trata-se de dois tipos de comunicação bem distintos.
Uma coisa é falar com uma pessoa que está em nossa
frente e que, com um simples gesto ou olhar, nos informa
que está entendendo tudo; outra bem diferente é escrever,
tentando pôr no papel o que seríamos capazes de falar.
Devemos, assim, tomar consciência de que a língua
escrita tem suas dificuldades próprias, exigindo treino constante,
concentração e o domínio de um vocabulário relativamente
extenso. Elaborar um texto claro e bem escrito é sempre
o resultado de várias
tentativas e do esforço
em torná-lo cada vez melhor
– seja trocando uma
palavra por outra, seja reformulando
períodos etc.
Portanto, não se esqueça:
um texto escrito sempre
pode ser melhorado e
não deve tomar como modelo
a língua oral.
O nível coloquial é
representado pelas formas
de linguagem usadas na
conversação diária, numa situação de informalidade. O
nível culto caracteriza-se por uma linguagem mais obediente
às normas gramaticais, estando, portanto, menos sujeito
a variações.
É importante ressaltar, porém, que essa distinção não
significa que um nível seja melhor que o outro. O que importa
é a adequação do nível empregado à situação em que
se produz o ato da fala. Se o objetivo de um indivíduo é falar
para ser bem compreendido pelo ouvinte, ele deve saber usar
convenientemente os níveis de linguagem. O conhecimento das
várias possibilidades de organização de mensagens favorece
uma pessoa, pois torna-a capaz de estabelecer contatos com
interlocutores de formação variada e em situações diversas.
Por outro lado, não devemos nos esquecer de que,
em nossa sociedade, o conhecimento da norma culta é um
dos meios de valorização social, além de permitir o acesso a
formas mais elaboradas de cultura, tanto no campo da arte
como no da ciência.
Embora a língua escrita esteja sujeita a menos variações
que a oral, essas observações também podem ser aplicadas
a ela. Toda vez que escrevemos um texto, devemos
ter em mente as características de nosso receptor e a natureza
do tema. Se fazemos uma dissertação sobre o problema
da poluição, por exemplo, devemos usar o nível culto
da linguagem; se, por outro lado, quisermos narrar a conversa
de pessoas do povo, devemos saber utilizar adequadamente
o nível coloquial. O grau de liberdade lingüística
de quem redige depende do assunto a tratar e da situação
em que ocorre a comunicação.
As principais modalidades de comunicação escritas
são: a narração, a descrição e a dissertação. Vale enfatizar
que essas três modalidades textuais geralmente não ocorrem
isoladas. Assim, num romance ou mesmo num conto,
embora predomine a narração, freqüentemente encontraremos
as modalidades descritiva e dissertativa.
Há diversos tipos de textos escritos com as mais diversas
finalidades. Pode ser uma carta, um bilhete, uma crônica,
um conto, uma piada, uma peça teatral, uma dissertação, um
convite, uma descrição, um relatório. Contudo, um bom texto,
em qualquer gênero, é aquele que consegue atingir os objetivos,
provocando as mais incríveis reações no leitor.
1- Texto narrativo
Narração é um texto onde se conta uma história real ou
fictícia, uma piada, um conto, uma novela, etc. Narração é o
ato de narrar alguma coisa. Seu cerne é o conflito marcado por
verbos no pretérito imperfeito e pretérito perfeito. Uso dos
discursos direto, indireto e indireto livre. Marcação cronológica
e/ou psicológica do tempo e pode apresentar descrição.
A narrativa pode ser real ou fictícia. A narrativa real é
o relato objetivo dos fatos. A linguagem reveste-se de um caráter
impessoal já que visa uma finalidade prática: a de informar
e a de instruir. Já a narrativa fictícia busca, no relato dos
acontecimentos, reproduzir a vida para ser sentida, entendida
e julgada em termos afetivos ou psicológicos. A linguagem se
reveste de um caráter pessoal, subjetivo. Cria uma nova realidade
com os dados da intuição do autor. Por isso, há sempre
uma seleção, uma escolha de elementos significativos.
Os elementos da narração
Personagem, fato central, enredo, discurso (direto,
indireto e indireto livre), foco narrativo, espaço, tempo e
apresentação das personagens.
1.1- Personagem:
É um ser criado no contexto da ficção que simula as
características de uma pessoa real. Ao narrador cabe a tarefa
de caracterizar a personagem e fazer com que o leitor do texto
aceite como uma representação verossímil de uma pessoa.
Todo elemento que manifestar vida em sua história é
considerado uma personagem, o que significa uma participação
ativa dentro da idéia apresentada.
Personagem quanto aos papéis:
As personagens quanto aos papéis podem ser: principais
e secundárias.
• Personagens principais
São aquelas que desempenham os papéis mais importantes
nas narrativas (protagonista e antagonista).
• Personagens secundárias ou coadjuvantes
São aquelas que desempenham papéis menos importantes,
auxiliam as principais.
• Personagem quanto à estrutura
Quanto à estrutura ou ao seu comportamento, a personagem
pode ser: linear ou complexa.
• Personagem linear
É também chamada de tipo, caracterizada pela simplificação
(mocinho ou bandido).
• Personagem complexa
São aquelas que apresentam a imprevisibilidade dos
seres humanos. As personagens complexas têm atitudes inesperadas,
ora agem de uma maneira, ora de outra, fazendo
com que o leitor jamais saiba como vão reagir frente a qualquer
situação.
1.2- Fato central:
Trata-se da ocorrência principal sobre a qual estamos
narrando. Se a narração é, por exemplo, uma festa, festa
é o fato central (é o que se narra).
O fato central representa a idéia em si. Só a partir
dele você poderá construir as personagens, diálogos e situações.
No entanto, o fato central não pode ser entendido como
“tema”, e sim como a adaptação da proposta temática a seus
próprios pensamentos.
1.3- Enredo:
É a história propriamente dita, a trama desenvolvida
em torno das personagens. O enredo é o esqueleto da narrativa,
aquilo que dá sustentação à história é o desenrolar dos
acontecimentos.
Há dois tipos de enredo que são: linear e não-linear.
• Enredo linear
É aquele que apresenta as ações de seus personagens
linearmente, isto é, primeiro o começo, em seguida o meio
e, por último, o fim.
Enredo não-linear
É aquele que não obedece à seqüência ou à ordem
comum: começo, meio e fim. Aqui o narrador pode começar
a história pelo fim ou pelo meio.
1.4- Discurso:
É um termo que se refere às possibilidades de que o
narrador dispõe para apresentar a fala das personagens.
É a utilização da linguagem usada pelo narrador quando
conta sua história, quando constrói seu enredo.
Dentro da narrativa, o discurso corresponde à fala da
personagem. Isso significa que toda a idéia expressa no texto
por um dos “participantes” da história representa um discurso,
tenha sido ele parte de um diálogo, um pensamento
ou uma declaração isolada.
Geralmente, por uma questão de lógica de significado,
vem acompanhado pelos chamados “verbos discendis”:
perguntar, exclamar, responder, dizer, falar...
Existem três tipos de discurso que são: discurso direto,
indireto e direto livre.
• Discurso direto
Ocorre quando a fala das personagens é apresentada
de modo integral, sem a interferência do narrador. Para registrá-
lo, o narrador pode fazer uso de um verbo dito elocucional
(falar, dizer, perguntar, retrucar...) seguido de dois
pontos (:) e de travessão (–) na linha seguinte.
É o recurso de reprodução exata da fala da personagem.
Você provavelmente faz uso dele oralmente quando,
ao contar um fato, dá ênfase a uma declaração repetindo,
vocábulo por vocábulo, sua mensagem.
• Discurso indireto
Ocorre quando o narrador reconstrói, por meio de
sua linguagem, o que as personagens teriam dito ou simplesmente
narra os fatos como se passam.
É a reprodução adaptada da fala da personagem, inserida
no texto pelo narrador como fato relatado sem representação
exata e objetiva do momento. Obedece às regras
padrões de qualquer trecho dentro de uma narração, sem que
necessite de uma pontuação específica. No entanto, necessita
de uma correspondência verbal do momento da fala para
o momento da narrativa que seja coerente (mas é impossível
definir uma “listinha” passível de memorização: essa é uma
regra que atende à lógica da própria língua).
No discurso indireto, a representação de emoções necessita
de algumas expressões extras, fora do discurso em si,
como advérbios ou locuções adverbiais: “em tom hesitante, lentamente,
desesperadamente, com a voz suave”, por exemplo.
Discurso indireto livre
Ocorre quando o narrador insere “falas-pensamentos”
das personagens no seu próprio discurso, dificultando a
identificação precisa de quem seria o responsável pelo que
está sendo dito. O discurso indireto livre é bem mais freqüente
em textos cujo foco narrativo é de 3ª pessoa, com
narrador onisciente.
É a mistura dos dois casos anteriores, em que as falas
do narrador e dos personagens se misturam, não explicitando
a quem pertencem.
Costuma ser um recurso literário, próprio de um estilo
dinâmico de escrita. No entanto, desaconselha-se esse
modo no vestibular, já que ele não deixa claro se o candidato
lançou mão dele por habilidade ou desconhecimento das
regras formais.
1.5- Foco Narrativo:
É a perspectiva a partir da qual uma história é contada.
O narrador é quem transmite a história. É a partir
dos detalhes apresentados por ele que a história ganha seus
contornos.
Há basicamente, três modos de o autor se colocar frente
ao seu texto.
• Narrador-personagem
O narrador conta uma história da qual participa, isto é,
ele está dentro do texto, como uma personagem, por isso o foco
narrativo é em 1ª pessoa; a linguagem deve adequar-se às características
da personagem que narra e o ângulo de visão é
limitado, podendo o ponto de vista partir da personagem principal
(protagonista) ou de uma personagem secundária.
• Narrador-observador
O narrador conta uma história como mero observador
de acontecimentos, dos quais não participa diretamente,
isto é, está fora do texto. Não sabe, a respeito do que acontece,
mas do que pode observar. Passa para o leitor os fatos
como teria enxergado. Narra em 3ª pessoa.
A linguagem deve adequar-se ao estilo do texto, podendo
ser muito mais livre, quanto às variações léxicas do
que na narrativa em primeira pessoa.
• Narrador-onisciente
O narrador conta a história como sabedor de tudo a
respeito dela. Este tipo de narrador é um “deus”, ele sabe
tudo o que se passa dentro da personagem, seus sonhos, suas
fantasias e suas intenções. Narra em terceira pessoa.
Por esse motivo é comum, em narrativas na terceira
pessoa, sermos informados sobre o estado de espírito das
personagens, seus sentimentos, pensamentos, etc.
1.6- Espaço:
É o conjunto de elementos da paisagem exterior (espaço
físico) ou interior (espaço psicológico), onde se situam
as ações das personagens. Ele é imprescindível, pois não funciona
apenas como pano de fundo, mas influência discretamente
no desenvolvimento do enredo, unindo-se ao tempo.
É o lugar (ou lugares) em que a história se passa.
Pode ser um cenário restrito (um quarto ou uma praia) ou
uma referência à cidade, região, país. A ambientação de um
fato se dá a partir da descrição física do lugar ou por meio de
citações dentro da própria história.
Aconselha-se, porém, descrever somente o que for
estritamente necessário, a fim de se evitar uma leitura pesada
e cansativa.
Descreve um ambiente é vital para a determinação
do “clima” em que se passa a trama, mas um detalhismo
exagerado geralmente desvia a atenção do leitor
do objetivo do texto.
1.7- Tempo:
O tempo de uma narrativa é caracterizado pela duração
da ação nela apresentada. É a passagem dos minutos,
das horas, dos dias, dos anos em uma narrativa. É indispensável
a sua determinação para a coerência da história.
O tempo pode ser:
• Tempo cronológico
É o que apresenta a seqüência natural e lógica, exemplificada
no princípio de que “amanhece, entardece, anoitece,
e assim por diante”. Os acontecimentos, então, são expostos
de acordo com a ordem óbvia de acontecimentos, e
assim relatados ao leitor.
• Tempo psicológico
É a ausência de marcas temporais definidas, geralmente
estabelecido a partir das “memórias” do narrador e
não obriga à ordem real e lógica dos acontecimentos. É o
meio pelo qual uma história pode começar a ser contada por
qualquer um de seus aspectos (início, desenvolvimento e final),
sem que isso interfira no seu entendimento.
Obs.: Atente para o fato de que há alternância dos tempos
verbais, o que define aquilo que é lembrança e aquilo
que é relatação no momento presente. No entanto,
esse recurso não deve ser utilizado aleatoriamente:
salvo o tempo cronológico como escolha de narração,
nunca misture “passado” e “presente”.
1.8- Apresentação das personagens:
A apresentação das personagens pode ser: direta ou
indireta.
• Apresentação direta
Consiste em dar os traços físicos e/ou psicológicos
das personagens.
• Apresentação indireta
Consiste em fazer com que o leitor vá descobrindo
como é a personagem, através das ações que ela comete (personagem
funcional) e/ou por meio dos discursos que usa.
Um texto se diz descritivo quando tem por base o
objeto, a coisa, a pessoa. Mostra detalhes que podem ser
físicos, morais, emocionais, espirituais. Nota-se que a intenção
é realmente descrever, daí a palavra descrição.
Descrever é caracterizar os objetos, apresentar características
percebidas através dos cinco sentidos.
A descrição é a forma mais primitiva, mais umbilical
de produzir um texto. Isto porque os instrumentos do ato de
descrever já estão em nós, constituem os elementos vitais de
nossa sensibilidade. Visão, tato, audição, paladar, olfato que
são os sentidos com que percebemos as coisas do mundo
que se traduzem em formas, cores, texturas, cheiros, sonoridades
a serem descobertos. Em suma, a descrição é um tipo
de texto em que, por meio de enumeração de detalhes e da
relação de informações dadas e características vai-se construindo
a imagem verbal daquilo que se pretende descrever.
A descrição é o “retrato verbal” de seres (pessoas, objetos),
paisagens ou situações; o texto trabalha com imagens,
permitindo uma visualização do que está sendo descrito.
Entretanto, a descrição exige algumas características
a mais. Descrever não significa apenas fazer um relato das
partes que compõem um todo; descrever uma sala informando
que ela tem quatro paredes, um teto, uma porta e duas
janelas, não acrescenta nada. São apontadas características
genéricas, comuns à maioria das salas; não há, portanto, o
essencial da descrição: o traço distintivo, individual, particular.
É necessário caracterizar o ser descrito, distinguindoo
de seres semelhantes, individualizando.
A alma das coisas
“Descrição miudamente fiel é, como em certos
quadros, uma espécie de natureza-morta. Portanto,
o que é preciso é captar a alma das coisas,
ressaltando aqueles aspectos que mais impressionam
os sentidos, destacando o seu ‘caráter’, as suas
peculiaridades. É preciso saber selecionar os detalhes,
saber reagrupá-los, analisá-los para se conseguir
uma imagem e não uma cópia do objeto. É
preciso mostrar as relações entre as suas partes
para melhor compreendê-lo no seu conjunto e melhor
senti-lo como impressão viva. Para conseguir
isso é preciso saber observar, é preciso ter imaginação
e dispor de recursos de expressão. ”
(GARCIA, Othon. Comunicação em prosa moderna)
As características lingüísticas mais marcantes da descrição
são:
• Tipos de descrição:
É normal distinguirmos dois tipos de descrição; dependendo
da postura assumida pelo observador: descrição
subjetiva e a descrição objetiva.
a) Descrição objetiva
É aquela em que o observador se limita aos valores exteriores,
aproximando-se o mais possível da realidade, sem emitir
juízo de valor (que são, obviamente, valores subjetivos). O
exemplo mais típico são as descrições técnicas ou científicas.
b) Descrição subjetiva
É aquela em que o observador emite juízo de valor,
salienta determinadas característica que o impressionam (portanto,
o que está sendo descrito é filtrado pelo observador,
interessa o que ele quer ver; interessa como ele vê). É a descrição
literária.
Dissertação é um texto que se caracteriza pela defesa
de uma idéia, de um ponto de vista. Ou então, pelo questionamento
acerca de um determinado assunto.
Dissertar é debater, discutir, questionar o nosso ponto
de vista, qualquer que seja. Desenvolver um raciocínio,
desenvolver argumentos que fundamentam nossa posição.
Polemizar, inclusive, com opiniões e argumentos contrários
aos nossos. Estabelecer relações de causa e conseqüência.
Dar exemplos, tirar conclusões. Apresentar um texto com
organizações lógicas de nossas idéias.
Dessa forma, uma dissertação depende de análise, de
capacidade de argumentação, de raciocínio lógico. Entre suas
características podemos citar: expor aos leitores uma determinada
posição ou mesmo levantar elementos para uma possível
análise ou reflexão. O autor do texto dissertativo trabalha
com argumentos, com fatos, com dados, os quais utiliza
para sedimentar e solidificar o desenvolvimento de sua tese
ou sua posição final.
Ao se iniciar uma dissertação, convém tornar claro e
explícito o tema que vai ser abordado, daí a importância da
introdução; por outro lado, também não se deve esquecer a
conclusão. Perceber que, dependendo do encaminhamento
dado ao texto, a conclusão pode até ser uma dúvida ou uma
interrogação; também pode ser um apanhado geral das idéias
expostas ou, ainda, a posição clara, categórica, do autor
sobre o tema desenvolvido.
O título, o tema, a tese e a argumentação são elementos
indispensáveis de uma mesma composição, porém, diferentes.
Tema: é o assunto já delimitado a ser abordado;
a idéia que será defendida por você e que aparece
logo no início do texto.
Título: é uma expressão, às vezes, apenas uma
palavra centralizada no início do trabalho; pode-se
dizer, também, ser ele uma vaga referência ao tema
ou assunto.
Tese: é a idéia defendida pelo autor do texto.
Argumentação: são os fundamentos utilizados
pelo autor para sustentar sua tese.
3.1- Características da dissertação:
O primeiro cuidado na produção do texto expositivo-
argumentativo é a delimitação do assunto de acordo com
seus fins.
Evidentemente que o desenvolvimento de um tema
dissertativo admite um sem-número de considerações e, em
conseqüência, diferentes possibilidades de encaminhamento.
É preciso, pois, selecionar de acordo com o tratamento
que se pretende dar ao assunto, os aspectos que mais nos
impressionam, os que mais conhecemos e dominamos e,
assim, sobre eles, montar um texto objetivo e coerente.
Em suma, diante do tema é preciso colocar objetivamente
uma questão (a tese), desenvolvê-la por meio de argumentação
coerente e convincente e, por último, concluíla
dentro da linha proposta.
3.2- Tipos de argumentos:
A dissertação, como vimos, expõe e esclarece um determinado
assunto, dentro de um raciocínio, emitindo opiniões.
O raciocínio se exprime por meio de argumentos, por
isso, de maneira genérica, indicaremos os principais tipos de
argumentos. Os principais raciocínios para argumentar são:
a) Raciocínio dedutivo:
É aquele que se desenvolve do geral para o particular.
O que é verdadeiro para todo um grupo é verdadeiro
para cada um de seus membros.
b) Raciocínio indutivo:
Opera do particular para o geral. Assim, uma vez
que um número importante de membros de um grupo apresenta
certa característica pertence a todos os membros do
grupo. Trata-se, portanto, de uma generalização: um, dois,
três... logo, todos.
c) Raciocínio causal:
Busca compreender a relação de causa e efeito num
fato ou processo.
d) Raciocínio analógico:
Consiste na passagem de um fato particular para outro
também particular que inferimos, em razão de alguma
semelhança. Em razão disso, o raciocínio por semelhança
fornece apenas probabilidade e não certeza, mas é usado com
freqüência em vários campos.
4.1- Introdução:
É a parte da dissertação em que se apresenta uma
idéia ou um ponto de vista que será defendido nos parágrafos
seguintes. É na introdução que se localiza o chamado
tópico frasal, período-chave em que se baseia todo o texto.
4.2- Desenvolvimento ou argumentação:
Considerado o corpo da dissertação, é o espaço em
que se desenvolve o ponto de vista ou a idéia apresentada na
introdução.
4.3- Conclusão:
É a parte da dissertação em que se dá um fecho coerente
com o desenvolvimento, com os argumentos apresentados.
A conclusão deve ser breve, ainda que se faça a recapitulação
das principais idéias.

Consutar a BibliografiaABAURRE, Maria Luiza, PONTARA, Marcela Nogueira,
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nacionais. Língua Portuguesa. Brasília, 1995.
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• CEREJA, William Roberto, MAGALHÃES, Thereza Cochar.
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• FIORIN, José Luiz. SAVIOLI, Francisco. Para entender
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• TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática e interação: uma
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São Paulo: Contexto, 1996.
• VALENTE, André. A linguagem nossa de cada dia. Petrópolis:
Vozes, 1997.
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